quarta-feira, 11 de novembro de 2009

não adianta se preparar

"Ele sempre vai te pegar de surpresa"

- Mãe, o que é sexo?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

coisas que só ele

- Mãe, eu quero parar de comer carne vermelha, você deixa?
- Por quê, Arthur?
- Porque carne vermelha faz mal.
- Bom...se você continuar a comer carne branca e se alimentar bem, acho que não tem problema.
- Mãe, você sabia que eles dão uma injeção pro boi ficar gordo e essa injeção faz muito mal pra gente?
- Filho, eles fazem várias coisas com o boi, com o frango...mas a gente não tem muito como fugir disso.
- Sabe o que acontece? É que existe muita gente gananciosa no mundo. Eles querem ganhar muito dinheiro e nem ligam se o boi vai sofrer, se vai fazer mal pros outros. Mas quando eu tiver a minha fazenda, nem que um homem fale assim: 'Eu te dou cem reais pra você dar uma injeção no seu boi', eu não vou deixar. Quando eu tiver uma fazenda, meus bois vão ser os maridos das vacas e a gente só vai tirar o leite delas.
- Mas nem um churrasquinho, Arthur?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

a gema

Uma mesa de bar, uma hora e meia pra entrar no trabalho, uma cidade sem luz, uma amiga e uma amiga da amiga.

- Mas e aí, Camilinha? Como que estão as coisas? Quem é essa figura que você ligou às seis horas da manhã, naquele estado? rsrsrsrs
- É amiga... é uma pessoa aí. Você não conhece não. Ela não é daqui.
- Sério? Mas tá bacana? Onde você conheceu?
- No Muzik. Sentou lá um dia e disse que só ia embora quando fechasse.
- Como assim?
- Ah, rolaram uns olhares, umas piadinhas - você sabe que eu não me controlo com piadinhas. Daí, na semana seguinte, ela apareceu lá sozinha, às três da manhã. Sentou no balcão na minha frente e disse que só ia embora quando terminasse.
- Affe. Se deu bem então, hein?
- Tenho me dado. rsrsrsrs
- Eh...ela chegou sozinha, mas parece que saiu de lá acompanhada, né?
- Tem estado acompanhada nas últimas três semanas, na verdade.
- Mas e aí? Saiu de onde essa pessoa?
- Então...ela é de BH, veio pra cá faze residência, tem 33 anos, pô...sei lá. É uma pessoa legal, muito legal e que tem me feito bem, muito bem.
- Que bom amiga, já não era sem tempo.
- Eu tinha esquecido como é bom sentir que alguém gosta da gente.
- Melhor ainda se é uma pessoa bacana.
- Eu dou umas sortes, né? Não é alguém que se encontra por aí, em qualquer lugar. Ela fala baixinho, tem um sorriso calmo, me deixa tranquila. Sabe alguém que te desacelera? Tenho estado bem feliz nos últimos dias.
(Terceiro elemento se manifesta)
- Ei...eu sei de quem você tá falando! Você trabalha no Muzik, ela é amiga do Cassimiro...
- É amiga... é a gema.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

filosofando

Reflexões após uma aula um tanto chata na segunda série.

- Mãe, eu não queria falar português.
- Como assim, Arthur?
- Português é muito chato.
- Filho, é a língua do seu país, do seu povo.
- Que povo?
- Do Brasil.
- Não é nada. Português é a língua de Portugal.
- Pois é, mas aí os portugueses resolveram vir pra cá e deu nisso. Mas o português que a gente fala aqui no Brasil é bem diferente do deles. Algums palavras, alguns sons, a gente modificou, incluiu, excluiu...O idioma que a gente fala tem influência de vários outros, até de dialetos africanos.
- Mãe, tem algum país que fala língua de índio?
- Tem, Arthur. No Paraguai eles falam espanhol e guarani, que é a língua dos índios de lá.
- Eu queria que aqui no Brasil fosse igual no Paraguai. Não quero aprender português. Quero aprender língua de índio.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

compreensão

- Você fala essas coisas dela, de não saber o que quer, mas acho que você também não sabe bem o quer, não é?
- Quase nunca.
- Também tem dúvidas se deve aproveitar um pouco mais a vida antes de investir em uma relação que possa durar de verdade.
- É verdade. Não sei se caso ou compro uma bicicleta.
- Mas a gente não está com pressa, não é?
- Sim. Sem pressa e com o mínimo de expectativas possíveis. Deixa ser que tem sido muito bom.
- Então vai vivendo. A gente vai se vendo, se conhecendo, se gostando, até você pensar melhor sobre essa coisa da bicicleta.


Ah essa tal maturidade... um dia ainda há de me bater à porta.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

empurrõezinhos

- Sabe, tenho me descoberto uma grande covarde.
- Por quê?
- Porque a verdade é que eu só me abro pro que sei ser imposssível e quando as coisas parecem poder dar certo, eu vou desistindo antes mesmo de começar. Eu me saboto.
- É estranho isso, mas recorrente. Muita gente só se permite envolver em situações que está na cara que não vão dar certo. Mas agora, qual seria o problema? Ela é um partidão.
- Eu sei. Ao menos parece ser.
- Tem sido bom?
- Tem. Mas acho que posso ter assustado ela um pouco.
- Assustado como?
- Algumas coisas que eu já fiz, algumas idéias que eu tenho, costumam assustar as pessoas que não me conhecem.
- Você não precisa sair contando sua vida toda em dois dias também, né?
- Mas eu falo. Você sabe que eu falo. E se me perguntam, eu falo mais ainda. E se acho que tem certas coisas que não devem ser omitidas, eu conto. Tem espaços e situações que é bom deixar claros logo no princípio. Mesmo que não dure, porque a gente sempre corre o risco de durar mais do que se imagina.
- Mas não esquece que o segredo é não criar expectativas.
- Tenho tentado.
- Eu acho que você deveria investir. Pode ser uma boa e certamente é um bom momento.
- Não sei se é um bom momento pra alguém se envolver comigo.
- Olha você se sabotando novamente. Por que não seria?
- Porque eu me apaixonei, amigo. Porque eu sei que não vai adiante, porque eu já tenho claro pra mim que eu não quero isso, porque é uma pena, mas ela não me vale a pena...mas mesmo com tudo isso, eu sei que ainda me derreto com aquele sorriso.
- Passe a se derreter com outro. Vai, você consegue.
- Só não quero me precipitar. Preciso deixar as coisas acontecerem naturalmente.
- Então deixa. E aprende a filtrar as coisas que você fala. Vai com calma, que tudo dá certo.
- Tentarei.
- Eu sei que as coisas parecem se atropelar, as vezes. Mas acho que você já deveria ter se acostumado com isso. Na fase das calmarias, você sofreu de solidão. Agora aguenta o tranco. Não foi isso que você quis?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

vai saber [2]

- Me disseram o quê você decidiu, mas eu preciso que você me diga tudo.
- Eu acho que eu também te amo. Isso seria possível?
- Eu não sei.
- Quero que você vá embora, mas não consigo te pedir isso.
- Por quê?
- Porque eu sei que posso estar a quilômetros de distância que você vai continuar aqui dentro.
- Eu posso sumir por um tempo, se você quiser...
- Eu não quero.
- Talvez algumas idéias mudem se a gente conversar com mais calma.
- Eu amo isso em você?
- Isso o quê?
- De transformar em calmaria a tormenta que está aqui dentro.
- É melhor assim, não?
- Se você fosse menos compreensivo, se fosse menos tranquilo, se tivesse metade da insegurança que eu carrego, seria tudo muito mais fácil.
- Eu já vivi um bocado pra entender as coisas desse jeito.
- Se você não fosse tão....
- Você se apaixonou, não foi?
- Eu não sei. Não sei de mais nada.
- O que você sente?
- Uma vontade enorme de abraçar os dois, ao mesmo tempo, e dormir com esse cheiro, com esse carinho. Mas isso é um sonho, uma utopia. Nunca daria certo.
- Quantos relacionamentos você já teve? Quantos deles você realmente acreditou que iriam dar certo? Quantos deram?


E esse eterno abismo entre tudo que se pensa e se sente.